segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma história para assustar meu filho

Autor: OvenFriend
História publicada no subforum nosleep do reddit. A história pertence a seu respectivo autor, eu apenas a traduzi.


Uma História para Assustar Meu Filho

Autor: OvenFriend (Melhor Vencedor Mensal de 2014)

“Filho, nós precisamos conversar sobre segurança na internet”. Eu lentamente me abaixei ao lado dele. Seu laptop estava aberto e ele estava jogando Minecraft num servidor público. Seus olhos estavam fixos no jogo. Comentários rolavam no lado da tela, numa caixa de chat. “Filho, você pode parar de jogar um pouco?”

Ele saiu do jogo, fechou o laptop e olhou para mim. “Pai, essa vai ser outra das suas histórias bobas de terror?”

“Ooo quêêêê?” Eu fingi que tinha sido magoado por um segundo, e então sorri para ele. “Eu achei que você gostava das minhas fábulas educativas?” Ele cresceu escutando minhas histórias sobre crianças que encontravam bruxas, fantasmas, lobisomens e ogros. Como muitas gerações de pais, eu usava histórias assustadoras para ensinar morais e lições sobre segurança. Pais solteiros como eu devem usar todas as ferramentas que puderem para ensinar seus filhos.

Ele franziu o rosto um pouco. “Elas eram ok quando eu tinha seis anos. Mas agora que eu estou ficando maior, elas não me assustam mais. Elas são meio bobas. Se você vai contar uma história sobre a internet, conte uma muito, muito assustadora!” Eu olhei incrédulo para ele. Ele cruzou os braços. “Pai, eu já tenho dez anos e posso aguentar”.

“Hmmm… Tudo bem, vou tentar.”

Eu comecei: “Era uma vez um menino chamado Colby...”. A expressão dele indicava que ele não estava impressionado com o quão assustadora era minha introdução. Ele respirou profundamente e pareceu aceitar que seria outra das histórias bobas do papai. Eu continuei:

Colby começou a usar a internet e a participar de diversos sites infantis. Depois de um tempo, ele começou a falar com outras crianças em jogos e em fóruns. Ele fez amizade com outro menino de dez anos, chamado Helper23. Eles gostavam dos mesmos videogames e programas de TV. Eles riam das piadas um do outro. Eles exploravam novos jogos juntos.

Depois de vários meses de amizade, Colby deu para Helper23 seis diamantes no jogo que eles estavam jogando. Esse era um presente muito generoso. O aniversário de Colby estava chegando e Helper23 queria enviar para ele um presente legal na vida real. Colby imaginou que não seria um problema dar para Helper23 seu endereço de casa – desde que ele prometesse não contar para nenhum estranho ou adulto. Helper23 jurou que ele não contaria para ninguém, nem para seus próprios pais, e disse que iria enviar o presente logo.

Eu pausei a história e perguntei para meu filho: “Você acha que essa foi uma boa ideia?”. “Não!”, ele exclamou, balançando a cabeça vigorosamente. Apesar de não querer, ele estava se interessando pela história.

Colby também achou que não tinha sido uma boa ideia. Ele se sentiu culpado sobre ter contado seu endereço de casa – e sua culpa começou a crescer. E crescer. Na hora que ele colocou seus pijamas na noite seguinte, sua culpa e medo estavam maiores que qualquer outra coisa no mundo. Ele resolveu contar a verdade para seus pais. Ele receberia um castigo sério, mas valia a pena para ter uma consciência limpa. Ele ficava impaciente em sua cama, enquanto ele esperava seus pais virem lhe dar boa noite.

Meu filho sabia que a parte assustadora estava vindo. Apesar de ter desprezado minhas histórias bobas, ele se inclinou para frente com os olhos arregalados. Eu falei num tom baixo deliberadamente:

Ele escutava todos os sons da casa. A máquina de lavar vibrava na lavanderia. Galhos raspavam contra os tijolos do lado de fora de seu quarto. Seu irmão recém nascido fazia sons em seu quarto. E havia outros sons que ele não conseguia... identificar. Finalmente, os passos de seu pai ecoaram no corredor. “Ei, pai?”, ele chamou. “Eu tenho uma coisa para contar para você”.

O rosto de seu pai apareceu na porta aberta, sua cabeça num ângulo estranho. Na escuridão, sua boca não parecia mexer e seus olhos pareciam errados: “Sim, filho”. A voz estava diferente também. “Você está bem, pai?”. O menino perguntou. “Aham”. Respondeu o pai, numa voz estranhamente afetada. Colby puxou as cobertas defensivamente. “Ummm… A mamãe está por aí?”.

“Aqui estou eu!” A cabeça da mãe surgiu na porta abaixo da cabeça do pai. A voz dela era um falsetto nada natural. “Você ia nos contar que você deu nosso endereço para o Helper23? Você não devia ter feito isso! Nós DISSEMOS para você nunca colocar informações pessoais na internet!”.

Ela continuou: “Ele não era uma criança! Ele só fez de conta que era uma. Você sabe o que ele fez? Ele veio a nossa casa, invadiu e matou a nós dois! Só para que ele pudesse passar um tempo com você!”

Um homem gordo num casaco molhado surgiu na porta segurando as duas cabeças decepadas. Colby gritou quando o homem jogou as duas cabeças no chão, revelou sua faca e se aproximou do menino.

Meu filho gritou também. Ele colocou suas mãos defensivamente sobre seu rosto. Mas nós estávamos apenas começando a história.

Depois de várias horas, o menino estava quase morto e seus gritos se transformaram em gemidos fracos. O assassino escutou o choro do bebê em outro quarto e arrancou sua faca que estava cravada em Colby. Isso era algo especial. Ele nunca tinha matado um bebê antes e estava feliz com essa ideia. Helper23 deixou Colby para morrer e seguiu o choro pela casa, até encontrá-lo.

No quarto do bebê, ele caminhou até o berço, pegou o bebê e o segurou em seus braços. Ele o colocou sobre a mesa de trocar fraldas para olhá-lo melhor. Mas conforme ele segurava o bebê, o choro parou. O bebê olhou para ele e sorriu. Helper23 nunca tinha segurado um bebê, mas ele o balançou em seus braços como se já tivesse feito isso antes. Ele limpou suas mãos ensanguentadas no lençol, para poder acariciar o rosto do bebê. “Oi, rapazinho”. Toda aquela raiva sádica se derreteu em algo mais amoroso.

Ele saiu do casa, levou o bebê consigo, o chamou de William e o criou como se fosse seu filho.

Depois que eu terminei a história, meu filho estava visivelmente abalado. Entre sua respiração falha, ele gaguejou: “Mas, pai, MEU nome é William”. Eu dei para ele uma piscadela e acariciei seu cabelo. “É claro que é, filho”. William correu pelas escadas para seu quarto enquanto soluçava.

Mas no fundo... Eu acho que ele gostou da história.

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